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  • Natacha Stefanini Canesso

O Festival Buriti de Audiovisual da UFOB e o potencial do curta-metragem

MOSTRA COMPETITIVA REVELA TALENTO DOS REALIZADORES E PREMIA EM 1º LUGAR ANIMAÇÃO "DIAS A FIO" DA ESTUDANTE ENIELDA SOUZA NUNES



Capa do filme de Enielda Souza, vencedora da primeira edição do festival.


 

O Festival Buriti de Audiovisual da UFOB é um projeto de extensão permanente, iniciado no segundo semestre de 2021, com o objetivo de promover reflexões e debates sobre as culturas, artes, saberes, tecnologias e sociedade nos territórios de identidade da Bacia do Rio Grande, Bacia do Rio Corrente e Velho Chico.


A inspiração para seu nome veio da palmeira comum nas veredas sertanejas da região. O buriti, que chega a ter 30 metros de altura e floresce quase o ano inteiro, invoca para o festival o espírito criativo que alimenta as reinvenções e dão vida a novas formas de ver, sentir e ser. Buriti, na língua tupi, significa “árvore alta de alimento ou de vida”.


O lançamento do projeto foi marcado pela mostra competitiva tematizada pelas angústias, ansiedades e inquietações acarretadas pelo contexto da pandemia da Covid-19. O tema “Sobreviver, sobre viver” propôs um recorte sensível dos impactos da pandemia da Covid-19 sobre a vida das pessoas, o cotidiano, a cultura e o convívio social nas cidades e territórios.


Os filmes inscritos passaram pela avaliação do júri especializado, que premiou os três primeiros classificados com R$ 1 mil (primeiro colocado), R$ 800 (segundo colocado) e R$ 500 (terceiro colocado). Os três primeiros classificados foram:

1º lugar: ‘Dias a fio’ de Enielda Souza Nunes;

2º lugar: ‘Fecho de pasto Vereda da Felicidade’ de Amanda Pereira Alves;

3º lugar: ‘Arte: um respiro depois do início e antes do fim’ de Mailton dos Santos Jesus.

A mostra competitiva “Sobreviver, sobre viver” foi o embrião deste projeto concebido sob o entendimento coletivo da importância social e econômica da promoção dos festivais culturais em diversos setores e territórios e da difusão dos curtas metragens. A Agência Nacional de Cinema (Ancine), por exemplo, destaca que “mostras e festivais são a primeira porta de entrada de uma obra audiovisual, além de serem os principais canais de difusão de obras de novos realizadores, de curtas-metragens e de produções nacionais e estrangeiras não exibidas em circuito comercial”.

Assim, em 2022, o Festival Buriti de Audiovisual da UFOB está sendo planejado com novas frentes de atuação. Para incentivar a formação de público, a produção e difusão de conteúdos audiovisuais independentes da região e promover a criação de redes e intercâmbios culturais, as próximas ações estão direcionadas para busca de novas parcerias, realização de palestras, debates, cursos, mostras e outras iniciativas de reflexão e articulação do audiovisual regional.


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O FESTIVAL



O curta-metragem

Desde a realização de “Um Cão Andaluz”, em 1928, por Luis Buñuel e Salvador Dali, o curta-metragem ganhou o reconhecimento de formato adequado para o cinema experimental. Os chocantes e polêmicos 20 minutos de duração do filme são considerados revolucionários na história do cinema.


Atualmente, estúdios e canais de streaming investem, com sucesso, em projetos de curtas-metragens para públicos segmentados. A Pixar conta com um catálogo de 57 curtas-metragens. O portfólio da Disney é composto por quase uma centena de obras de curta duração. Já a Netflix lançou, em junho de 2020, ‘Feito em Casa’, uma série de curtas-metragens de cineastas famosos de todo o mundo. São obras realizadas durante a pandemia em condições de distanciamento social com narrativas em diversos gêneros.





Além deste sedutor contexto mainstream, alguns argumentos podem ser usados para a defesa de que o curta-metragem é a melhor porta de entrada para quem quer ingressar profissionalmente na produção audiovisual. O primeiro e mais objetivo é o de que produzir um filme demanda tempo e recurso. Contar bem uma história exige pesquisa, conhecimento, várias habilidades, disciplina e dedicação. A produção audiovisual, quando de médio e longo formato, implica em envolvimento de uma equipe técnica especializada, mais tempo para captação de recursos, maior complexidade nas etapas de pré-produção e finalização.


Já o curta-metragem é uma produção menor que possibilita a discussão de temas atuais de forma fácil e rápida. Lívia Perez, diretora de “Quem matou Eloá”, em entrevista para a TV Brasil, afirmou que o “curta-metragem é um formato que permite urgência”.


O segundo argumento é o de que o curta-metragem é a melhor oportunidade de experimentação de técnicas e linguagens; de circular com a obra e conquistar espaço em festivais regionais, nacionais e internacionais; de divulgação do trabalho como roteirista, diretor e/ou produtor; e de reconhecimento profissional no mercado audiovisual.


E, em uma perspectiva ampla e contextual, o curta-metragem abre espaços para novos formatos de programação e exibição de conteúdo audiovisual; concretiza ideias inovadoras para as marcas, para a publicidade, para projetos comerciais e educacionais; e provoca o debate sobre a elaboração de políticas públicas para a cultura que incentivem a diversidade, a criatividade e o ingresso de novos produtores na cadeia produtiva do setor.



 

Natacha Stefanini Canesso, professora da UFOB.










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