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  • Matheus Silva do Amaral* e Uillian Trindade Oliveira**

A experiência do estágio em Artes Visuais durante pandemia

ETAPA FUNDAMENTAL DO CURSO DE LICENCIATURA, O ESTÁGIO SUPERVISIONADO COLOCA O ESTUDANTE NA PRÁTICA DA EDUCAÇÃO EM ARTE.


Releitura (direita) feita por um aluno da obra “Menino com um Cachimbo”, de Pablo Picasso. (Reprodução)


 

O estágio supervisionado no campo da licenciatura em Artes Visuais é um momento muito importante dentro da graduação, pois possibilita que o aluno experimente na prática as teorias que foram vistas no decorrer do curso. Dessa forma, o ambiente escolar acaba se tornando um lugar de oportunidade, de experimentação e troca de conhecimentos entre o estagiário, os professores e os alunos.


Diante do novo cenário mundial provocado pela Covid-19, novas metodologias precisaram ser adotadas no campo da educação para conseguir dar continuidade ao processo de ensino aprendizagem nas escolas. Para tanto, novas possibilidades pedagógicas surgiram diante dos desafios impostos pela pandemia. Sendo assim, o ensino remoto trouxe inovações metodológicas que, apesar de estarem presentes no cotidiano dos jovens, ainda eram pouco utilizadas anteriormente em escolas públicas, como o ensino por meio das plataformas digitais.



Ao entrar em contato com esse novo modelo de ensino não presencial, o estagiário está sujeito a enfrentar as dificuldades que o professor e o aluno também estão vivenciando. Portanto, ele precisa se adequar a este ambiente e ao modelo que as escolas estão adotando como metodologia pedagógica. Como afirma Lampert (2005, p. 153) “é no estágio que nos damos conta de que as coisas nem sempre são o que parecem ser, questionamos nossa formação testamos literalmente nossos conhecimentos, deparamo-nos com situações que não conseguimos controlar e cometemos erros”. No entanto, o erro se torna importante neste processo, pois é o momento do estagiário refletir sobre suas ações. Enfim, é preciso que o futuro professor esteja atento a essas mudanças na educação, para conseguir se adequar e se testar, tendo em vista que a escola é um lugar de múltiplas identidades e culturas que criam diferentes formas de relações entre os indivíduos.


Relatos

A minha experiência no ensino de Arte durante a pandemia em uma turma de Ensino Médio se divide em dois momentos: o primeiro se caracterizou por ocorrer de maneira remota, que aconteceu no ambiente virtual utilizando a plataforma do Google Meet, e o segundo se deu de forma semipresencial. Em ambos os métodos o celular foi uma ferramenta muito importante para conseguir se comunicar com os alunos e professores. No entanto, esses dois momentos apresentaram circunstâncias distintas e fizeram com que as propostas do estágio sofressem diversas modificações durante o processo pedagógico.



Dessa forma, o conteúdo trabalhado com os estudantes durante a prática de estágio foi pensado de maneira que contribuísse com o trabalho que já vinha sendo realizado pela professora de Arte da escola e que fosse possível realizar durante o ensino remoto emergencial. Sendo assim, a proposta metodológica foi planejada sobre o conteúdo de Leitura de Imagens e Releitura de Obras de Arte, visando uma metodologia de aula expositiva e dialogada, além de propor atividades práticas aos estudantes sobre as temáticas trabalhadas que pudessem ser realizadas em casa.


A leitura de imagens, portanto, possibilita que o aluno desenvolva uma percepção crítica sobre o conteúdo visual que eles consomem, tendo em vista que as imagens fazem parte de nosso cotidiano e precisamos interpreta-las e refletir sobre as informações que são apresentadas por elas. Dessa forma, na aula ministrada de maneira online, busquei trabalhar a leitura de imagens utilizando a metodologia de leitura iconográfica e iconológica, com o objetivo de analisar as características estéticas das imagens e buscar uma interpretação mais profunda sobre o significado da obra, através de um estudo mais amplo sobre o contexto cultural e histórico da imagem.


Para Ana Mae Barbosa (1998) “apreciar, educar os sentidos e avaliar a qualidade das imagens produzidas pelos artistas é uma ampliação necessária à livre-expressão, de maneira a possibilitar o desenvolvimento contínuo daqueles que, depois de deixar a escola, não se tornarão produtores de arte”. Portanto, o contato dos alunos com as obras de arte na escola, estimula o pensamento crítico e o desenvolvimento da criatividade.

Dessa maneira, a aula realizada pelo Google Meet foi muito produtiva e teve bastante participação dos alunos da turma, tendo em vista que a conexão com a internet naquele instante proporcionou que eles buscassem informações que contribuíssem com o momento da aula. Sendo assim, ao dar continuidade com o projeto de estágio, implementei a leitura de imagens em todas as atividades, pois percebi que este método além de contribuir com o momento aula, também contribuiria para a formação crítica dos alunos.


Ao trabalhar Releitura de Obras de Arte com a turma, planejei duas aulas para contextualizar sobre o conteúdo e discutir sobre obras de artistas que trabalham com a releitura, como Fernando Botero, Vik Muniz, Eduardo Kobra, Mundano, etc. Para tanto, a introdução sobre leitura de imagens nas aulas anteriores contribuiu para o desenvolvimento deste novo conteúdo, tendo em vista que os alunos estavam mais atentos aos elementos visuais e conseguiam fazem relações entre as releituras dos artistas e as obras originais em que eles se inspiraram.


Dessa maneira, foi importante esse primeiro momento para que os alunos compreendessem acerca da releitura como uma possibilidade de criação, diferente da cópia, que possui caráter de reprodução, pois, como afirma Pillar (2011, p. 14) há uma enorme diferença entre os dois métodos, tendo em vista que “a cópia diz respeito ao aprimoramento técnico, sem transformação, sem interpretação e sem criação. Já na releitura há transformação, interpretação, criação com base num referencial, num texto visual que pode estar explícito ou implícito na obra final”.


Por conseguinte, foi proposto aos alunos que eles escolhessem uma obra de arte e criassem uma releitura dela, abordando aspectos de seus contextos atuais. Para tanto, foi acordado que eles produzissem em momento assíncrono e que apresentassem a criação na próxima aula. Como esperado, muitos versaram sobre a pandemia que estamos vivenciando e utilizaram variadas formas de expressão, como o desenho, a colagem virtual e a pintura. Abaixo temos duas releituras feita por alunos do 1º ano do Ensino Médio.



Outra releitura, feita da obra “O velho guitarrista cego” de Pablo Picasso. (Reprodução)

Considerações

Foi muito importante experimentar a sala de aula durante o estágio no Ensino Médio. Para Lampert “o professor de Artes Visuais deve estar questionando constantemente o processo de ensino aprendizagem em arte, seu e de seus alunos, para que possa intervir em contextos e trajetórias, que propiciem múltiplos olhares”. Portanto, é importante destacar esse processo porque é nele que colocamos em prática tudo o que absorvemos na universidade. Dessa forma, compreendemos que nesse período a teoria nunca pode estar separada da prática, pois ambas são fundamentais para o processo educativo.


Além disso, destaco que o distanciamento provocado pela pandemia do Novo Coronavírus fez com que surgissem diversas reflexões sobre o atual contexto educacional nas escolas públicas no nosso país e, além disso, evidenciou a importância do comprometimento de todos os atores da escola no processo educativo, pois a presença do professor e do estagiário, mesmo que de maneira remota, como mediador do processo de ensino aprendizagem e a autonomia e responsabilidade do estudante são fundamentais para esse processo. *|*


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REFERÊNCIAS

BARBOSA, Ana Mae. Tópicos Utópicos. Belo Horizonte: Editora C/Arte, 1998.

LAMPERT, Jociele. Estágio supervisionado: andarilhando no caminho das Artes Visuais. In: OLIVEIRA, Marilda O. de, HERNÁNDEZ, Fernando. (Orgs.) A formação do professor e o ensino das artes visuais. Santa Maria: Ed. da UFSM, 2005. pp.147-157.

PILLAR, Analice Dutra (Org.). A educação do olhar no ensino das artes. 6ª ed. São Paulo: Mediação, 2011.



*Matheus Silva do Amaral, Graduando no curso de Licenciatura em Artes Visuais.

**Uillian Trindade Oliveira, professor na UFOB, artista visual.

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