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  • Natacha Stefanini Canesso

Pescaria de Conhecimento de Dona Liça Pataxoop, na aldeia Muã Mimatxi


EDUCADORA DE ALDEIA MINEIRA CRIA ESCRITA ORIGINAL BASEADA EM DESENHOS QUE ENSINAM SOBRE A ANCESTRALIDADE E A NATUREZA


Tehêy, material didático criado por Dona Liça para explicar a cultura ancestral e a relação homem/natureza


 

A força da liderança feminina está no olhar, no sorriso, no canto e nas palavras de Dona Liça Pataxoop, ilustre convidada do ‘Matizes em diálogo’, evento organizado para celebrar o lançamento da revista Francisco.


Nascida em 1969, na Aldeia Indígena Barra Velha, no sul da Bahia, Dona Liça Pataxoop é artista, contadora de histórias e arte educadora na Aldeia Indígena Muã Mimatxi, perto da cidade de Itapecerica, centro oeste de Minas Gerais, local onde vive e trabalha. Seu aprendizado vem da relação que estabelece com a terra, da observação dos movimentos e dos ciclos naturais e da irmandade com a natureza.


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Dona Liça, professora de cultura de crianças e jovens. Foto: BDMG cultural/reprodução

Na Escola Estadual Indígena Pataxó Muã Mimatxi, Dona Liça ensina crianças e jovens a partir das experiências que vivem na relação com o outro e com a natureza, baseadas no contexto da aldeia e na história da origem do seu povo. Dona Liça aplica a pedagogia através da oralidade e seu material didático são os Tehêys, que ela mesma “escreve”.


Os Tehêys de Pescaria de Conhecimento, como os chama Dona Liça, são desenhos-palavra que ressignificam um objeto cotidiano: a rede utilizada por mulheres e crianças para pescaria nos rios e nas lagoas. Os Tehêys são compostos por uma organização de desenhos coloridos e vibrantes que se conectam, criam uma narrativa e transmitem, entre outros ensinamentos e valores, a vida da casa, o cuidado e a proteção das crianças, a convivência com os animais, a alegria e liberdade da comunidade e da natureza, os rituais, a construção e a sobrevivência do povo Pataxoop. Segundo Werymehe Braz, filha da Dona Liça, o Tehêy é um livro, onde se coloca a vida da aldeia: “o poder de intermediação dos tehêys é muito grande: ele liga tudo, e também liga a oralidade com a escrita, a escola com a comunidade, as experiências de cada um, o passado e o futuro”.


"Quem me ensinou? A mãe terra. Pra gente, a ancestralidade ela tá no presente. Ela tá no nosso ensino da vida", Dona Liça.

Atualmente, a sabedoria de Dona Liça transcende a atuação na comunidade. Alguns projetos nacionais se conectaram ao ativismo de Dona Liça e seu trabalho vem sendo compartilhado em iniciativas que têm o objetivo de dialogar nossas tradições e valorizar a ancestralidade. Dona Liça participou da exposição "Mundos Indígenas", da Universidade Federal de Minas Gerais, como curadora Pataxoop. Apresentou os Tehêys no Clubinho de Leitura do Espaço do Conhecimento UFMG. É destaque nos podcasts "Aprender com a natureza", do projeto "Galeria de Arte" da BDMG Cultural; e "Mekukradjá", do Itaú Cultural. E, ainda, protagoniza o episódio 7, da websérie "Leia Autoras Indígenas", projeto do Sesc Ipiranga.


Além do mergulho na tradição, na ancestralidade, na narrativa e na arte dos Tehêys, Dona Liça nos reforça que a centralidade de um povo está na educação. E a educação precisa ser pensada a partir da experiência do indivíduo, com metodologias inclusivas, capazes de conectar pessoas e grupos para uma transformação social.


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PODCASTS

- Aprender com a natureza, projeto ‘Galeria de Arte’, BDMG Cultural.

- Mekukradjá, projeto Itaú Cultural.


WEBSÉRIE


REFERÊNCIAS

BRAZ, Werymehe Alves. Tehêy de pescaria de conhecimento. 2019. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Formação Intercultural para Educadores indígena) – Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2019.

VALADARES, Juarez Melgaço. A imagem e a força de um povo: os tehêy de pescaria Pataxoop. Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil, 2021.



 

Natacha Stefanini Canesso, professora da UFOB.

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